terça-feira, 18 de dezembro de 2012

AS VANTAGENS DO APOCALIPSE


    Segundo o povo Maia o dia do juízo final, temido por muitos, está mais próximo do que nós podemos imaginar. No dia 21/12/2012, a terra colidirá com meteoros super, ultra, mega perigosos, e tudo se consumará num fim, como tantos outros que conhecemos. E isso já foi confirmado pelos mais renomados cientistas, inclusive por mim. No Brasil, a coisa será bastante séria, já que somos um país que está  em evidência, e além do mais a gente não tem terremoto, vulcão e furacão; então, resolveram nos dar um pouco de emoção no fim da vida. De acordo com os meus cálculos super avançados, o meteoro caíra no Brasil na hora que ele atingir o solo Brasileiro, portanto, teremos um tempo para abandonar nossos lares, e ir para as ruas provar o nosso desespero patético.

    Depois de horas nas filas da assistência social Brasileira, teremos que enfrentar temperaturas altíssimas, o que já salva o pessoal do Nordeste. Os do Sul vão morrer primeiro, já que o calor é alarmante. Nos estados do Norte o fim do mundo não vai chegar. O Acre, Rondônia e Roraima, não entraram na lista de estados que podem ser atingidos, porque eles não existem de fato; a Amazônia também não entra, porque o Greenpeace fez vários protestos e abaixo-assinados para que isso não chegasse em, como eles mesmos disseram, “uma região tão rica, que precisa estar no próximo mundo”, e os maias concordaram. O pessoal do Centro-Oeste se fodeu mesmo! Um meteoro está sendo preparado especialmente para Brasília e ele chegará lá, antes; pelo fato de que apocalipse acontece em uma sexta, e o pessoal de lá trabalhar até quarta. Já o Sudeste vai ser pouco atingido; razão: muitos deles estarão dentro dos shoppings fazendo as suas últimas compras de Natal, portanto, esses estão salvos; os que estiverem fora dos shoppings se foderam também.

    Mas enquanto eu estive deliberando sobre esse fato, descobri várias vantagens nesse apocalipse. Pense em quantas pessoas que são irritantes que vão morrer. Quantas pessoas más. As boas também, de fato, mas pense nas más. O trânsito sumirá da face da terra, pelo menos até a próxima geração descobrir o automóvel. As pessoas que sofrem de doenças não sofrerão mais, e as que não sofrem, não sofrerão nunca. Ficaremos livres das escatologias mundiais; das crianças que choram sem motivo; dos livros chatos; dos fãs de Harry Potter; da Globo; do telemarketing; das contas à pagar, e principalmente, de nós mesmos. Se tem alguém que a gente deveria odiar com todas as nossas vísceras somos nós mesmos, que nos damos o trabalho de existir, e isso é um porre.

    Eu dei uma ligadinha no SAC do próximo mundo e eles contrariaram a declaração da Veja, que dizia que só existem cem vagas para lá. Na verdade há 2000 e isso será pré determinado pelo comportamento patético do ser humano. Quanto menos patético, mais chance de ganhar o privilégio de ir pra lá. Eles também me confirmaram que lá não tem gente morta, ou seja, as crianças estarão livres de qualquer Michael Jackson, e os jovens não serão sujeitos às drogas de Amy Winehouse. Os funkeiros que forem escolhidos, serão desclassificados automaticamente, já que o fato de serem o que são, já os fazem patéticos. E uma última ressalva, é terminantemente proibido cantar ou cantarolar a música “Esse Cara Sou Eu” no novo mundo, caso isso ocorra você vai se foder também.

    Por fim, gostaria de deixar uma carta de despedida para àqueles que não terão a mesma oportunidade que os outros, ou que talvez nem eu tenha. Primeiro eu queria mandar vocês todos à merda, porque eu não posso perder a oportunidade. Depois quero agradecer àqueles que leram isso inteiro, já que está chato. Enfim, desejo que o fim do mundo de vocês seja tão desgraçado quanto o meu, e caso a gente se encontre no próximo mundo; o qual eu já arrumei a minha mala com CDs, livros e revistas; espero  que vocês estejam preparados para uma vida nova, em um mundo novo, com gente menos patética. E caso vocês não acreditem no fim do mundo, vamos esperar, alguém tem que estar certo. 

Por Guilherme Augusto 

terça-feira, 31 de julho de 2012

Cultura Inútil Virou Útil (Segundo Eles)

  Eu tenho aproveitado esses meus dias de férias para apreciar, com um olhar bastante crítico, os programas de nossa tv aberta. A princípio poucas coisas me impressionaram e, apesar de não ser o canal mais inteligente, a rede Globo tem me chamado a atenção pela tentativa de formar um ser pensante Brasileiro, claro que seguindo os ideais do tradicional canal que enche a boca para falar que é o maior da América Latina. Lamento que qualidade não se equipare a tamanho. 

   A tentativa frustrada de nos formar de formas alternativas levou a rede Globo a retirar uma jornalista competente, de um jornal importante, para integrar o medíocre horário da manhã. Não sei se os senhores já tiveram a oportunidade de assistir ao programa do qual eu falo, caso não, o programa consiste em promover discussões sobre problemas da vida cotidiana de pessoas "normais", e entrevistas insignificantes com alguns artistas. A minha retratação não é em relação às entrevistas, elas pouco me importam. O problema aqui são as discussões. A Globo, famosa pela excelência em informação e telenovelas, conseguiu fazer um programa que nos lembra o polêmico Casos de Família ou até o extinto Márcia. Programas permeados por problemas da vida alheia, que algum diretor acha necessário descuti-los partindo de um ponto de vista burguês.

   Outro programa que me impressiona pela inutilidade como foco, é o apresentado por um jornalista inteligente e sensível que, por três meses ao ano, há doze anos, se submete a apresentar um reality show com pessoas 'normais', que se tornam pseudos-artistas da tv Brasileira. Mas não vamos perder os foco. O programa passa em horário tardio, o que facilita para que a audiência seja baixa e que ele saia logo do ar. Suas discussões levam pessoas a sair de suas casas e trocar umas três palavras com o apresentador, já que ele corta as falas de todos os seus convidados. Então, o que conta mesmo neste programa, é a opinião de quem apresenta, porque meia hora de 'discussões' são mais que necessárias para que ele fale palavras confortadoras e bonitas no final, 'soltando' um frases de efeito ensaiadas.  

  A conclusão é que, ao invés de estarmos construindo um ser pensante e com uma opinião consistente, a mídia está, mais uma vez, desviando a nossa atenção. O cidadão brasileiro que acredita nessa cultura contingente emburrece, enquanto os que comandam enriquecem. 

Por Guilherme Augusto 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Na Estrada com Jack Kerouac


Capa do Livro  On The Road 

   É ao ritmo de Jazz e Rock And Roll que Jack Kerouac nos leva a atravessar os Estados Unidos por mais de uma vez durante as 268 páginas que a história contém. E aturando as ansiedades de Sal Paradise, e as loucuras de Dean Moriarty, que temos que nos entreter com histórias completamente inusitadas, que às vezes nos levam a pensar que tudo aquilo não passa de um sonho. Mas não é assim que acontece na cabeça do maior expoente da cultura beat. Jack escreveu tudo muito consciente, apesar de seus lapsos de loucura ele sabia o que estava fazendo. E fez isso muito bem.


Jack Kerouac em 1956

   A história, para quem não a conhece, conta as travessias pelos EUA dos dois amigos Sal e Dean. Cada detalhe é selecionado com muito descaso, já que Jack escreveu o livro desconsiderando o rigor que era requerido na década de 50. O seu amor pelas estradas é explicitamente demonstrado e depois, conhecendo melhor a sua vida, as personagens nos sugerem ser dois alter-egos do autor. Sal, demonstra uma parte séria, compenetrado; porém, que se desviou do seu mundo politicamente correto por causa de um amigo; no caso, Dean, o segundo alter de Jack, que é completamente descomprometido da vida e de seus compromisso reais. É uma personagem que tem um nível de liberdade que chega a nos incomodar quando abandonas suas mulheres e filhos mais de uma vez.

Banner do filme Na Estrada, dirigido pelo Brasileiro Walter Salles

   Moralidades à parte, a história nos prende do meio ao fim, já que o começo é muito chato. Jack consegue alcançar um tipo de prosa que era desconhecida aos meus olhos.  E agora com a versão para o cinema finalmente realizada, teremos a oportunidade de nos encantar com essas personagens incríveis, que só Kerouac poderia ter nos apresentado. Mostrando assim, a verdadeira busca americana. A busca pela liberdade. 

Por Guilherme Augusto 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Malluco

    Foram necessários vinte e cinco dias para que eu digerisse um choque tão grande de emoções. Apesar daquela simplicidade toda, de seu jeito único de falar e de seu simbolismo com as coisas pequenas da vida, eu me apaixonei por aquela garota que eu havia conhecido a pouco, ou um pouco, ou nada. É complicado falar assim porque ela traz consigo uma essência primordial, e uma timidez singela e comovente. E também tem um negócio que, por mais que eu tente, é inexplicável. É algo que quando eu ouço eu me sinto causador de uma dor, obrigado a me emocionar e de sentir um remorso que eu ainda não encontrei razão.   

    E foi com muita ária que ela me explicou  a razão de sua vinda ao meu mundo, invadindo o meu íntimo e provocando insônias sem direito a uma compaixão. Talvez ela seja a Yoko Ono pela qual eu esperara esse tempo todo. Pela qual, por mais que eu negue, eu fiquei tonto, entorpecido, em transe, e meus sentimentos completamente nus em pêlo. Sua falta de maturidade me comove os olhos, corrói as narinas e afeta muito os meus ouvidos. Sua 'pseudonia' me deixa completamente convencido de seus disfarces.  

  Enfim, é caso de 'platonicidade', que incomoda mais do que ronco a meia noite, porém, vem acompanhado de um chamego charmoso de alma francesa. Por mais que eu negue e tente desistir de ter, mais uma vez, esse flagelo único e tênue, vou assumir, não vejo o que qualquer um pode ver em mais ninguém, além de você. 


 Por Guilherme Augusto

Glam Rock Indie Punk

Imagem divulgada do primeiro EP de Mayana Moura
É ao som de muito punk rock que a vida de Mayana Moura toca. Conhecida por suas atuações em novelas, minisséries e até mesmo nas passarelas, essa carioca de 29 anos deixou de lado a carreira de atriz para se dedicar à música. Dona de uma voz aveludada, ela lança seu primeiro EP em agosto, depois de passagens por duas bandas. Experiência suficiente para compor letras com uma alma beat, e melodias que nos comovem as entranhas.
Capa do CD de Mayana Moura
As cinco músicas divulgadas, sendo uma delas um cover, nos mostram uma cantora bastante dedicada ao que faz. Os acordes das músicas nos dão a impressão de ser de uma banda experiente na indústria fonográfica, porém, não é desse jeito que Mayana quer chegar ao seu auge. A cantora segue os caminhos de uma carreira genuinamente indie, em outras palavras, independente, sem o auxílio da mídia para a promoção de seu trabalho. Apesar de sua carreira musical ter iniciado a pouco, ela promete ir longe. Com letras puras e naturais, os holofotes são pouco para essa garota que se denomina dark. Ela quer mais do que fazer dinheiro. Ela quer fazer música!

Por Guilherme Augusto

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Um Ano sem Amy Winehouse



Amy Winehouse em show da turnê de Back To Black
    Foi em uma tarde de julho há um ano, que o mundo recebeu a triste notícia da morte de uma das vozes mais marcantes do século XXI. Amy Jade Winehouse, a judia não praticante, dona de um vocal extremamente persuasivo e coerente com as suas letras, fora encontrada desacordada em seu apartamento no norte de Londres, em Camden. A razão de sua morte ainda não foi esclarecida, mas o legado que a cantora deixou
conforta os seus fãs, que continuam sem resposta. 

Amy Winehouse 
    Amy Winehouse entrou no show business em 2003, como cantora e compositora. O seu primeiro álbum, intitulado Frank, mostrou uma Amy serena e tranquila. Com batidas de Jazz e pitadas de Blues, ela seguiu religiosamente as suas ricas referências, que vão de Frank Sinatra (que a inspirou ao nomear o cd) a Marvin Gaye, passando pelo grupo pop americano The Shangri-Las. Amy era especialista em escrever sobre os seus relacionamentos.  A maioria das suas músicas tratam de amor, seja ele perdido, conquistado, traído, isso tudo com muito sarcasmo e humor. O seu sucesso se deu pelo lançamento da polêmica Stronger Than Me  (“Mais Forte do que Eu” em tradução livre), que deu a Amy um lugar digno nos charts da Inglaterra e o prêmio de melhor música contemporânea no Brit Awards de 2004. 

Capa do disco Frank 

    O seu segundo cd viria três anos depois de Frank. Back To Black (“De Volta ao Luto”), foi lançado em outubro de 2006 com a pretensão de ser o grande álbum da carreira de Amy, e foi. Seu segundo disco trouxe uma cantora mais visceral em sua atividade e muito mais madura. Neste período Amy ganhou dois grandes dramas, as drogas e o grande amor de sua vida, Blake, o garoto- problema. Em BtB, as músicas eram cantadas com uma voz de quem estava com raiva; as melodias, de quem sentira muito rancor; e as letras pareciam ser escritas por uma mulher muito mais vivida do a cantora. O seu maior sucesso, Rehab (Reabilitação), trouxe à tona o seu vicio e sua repulsão por enfrentar mais uma vez as clínicas de reabilitação. Em uma das frases da música Amy diz “Eu só, só preciso de um amigo”, revelando sua solidão, alavancando a sua carência. Apesar de ser um álbum extremamente denso e revelador, Back To Black rendeu seis indicações ao Grammy, tendo ganhado cinco. 

Capa do disco Back To Black
    Contudo, Amy Winehouse viveu pouco, mas viveu como se cada dia de sua vida fosse o último.  O seu álbum póstumo, Hidden Treasures (Tesouros Escondidos), nos deu a última chance de ouvir músicas inéditas cantadas por essa artista extremamente intensa. As suas músicas farão de sua carreira algo perpétuo, e sua presença continuará viva nos corações de seus fãs. O mundo conheceu, os fãs reconheceram e muita gente aplaudiu. É mais uma voz que se cala para se transformar em uma artista eterna

Amy Winehouse (1983 - Eternamente em Nossos Corações)

Por Guilherme Augusto 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A Mãe do Punk Voltou!


Capa do cd Banga de Patti Smith
Depois de completar oito anos de jejum, Patti Smith lança um cd de inéditas com a intensidade de uma principiante, e um repertório digno de uma veterana. Banga é o décimo primeiro álbum da artista. Percorre por estilos variados, do folk ao punk, Patti consegue captar a emoção de um poema, e transformá-lo em uma música única, que só ela é capaz de fazer.


Capa do single April Fool, faixa de Banga
Nascida Patti Lee Smith, a garota de Nova Orleans não se contentava em levar uma vida pacata na cidade sulista dos EUA, portanto, logo tratou de se mandar para Nova York. Lá, ela aprendeu que a vida não era tão fácil quanto ela pensara que seria. Dormiu nas ruas, passou fome, batalhou empregos, até encontrar o grande amor de sua vida, Robert Mapplethorpe. Neste romance que envolvia arte, drogas, músicas e muita loucura, Patti busca inspiração até hoje. Com a morte de Robert em 1989, a cantora (que também pode ser chamada de poeta) deu um tempo em sua carreira efervescente, voltando a produzir somente em 96. Dando continuidade ao seu legado, ela lançou o cd Trampin, sem muito sucesso em 2004, seu último de inéditas. A partir daí, ela escreveu um livro, o premiado “Só Garotos”, e lançou um cd de covers. O que nos leva a crer, que Patti tenha ficado esse tempo todo trabalhando em um disco excepcional, como o mundo punk não ouvia há um bom tempo.


Patti Smith
O cd se utiliza de todos os estilos já testados por Patti. É evidente que ele se iguale a Horses, o épico que traz Gloria e Because the Night em seu setlist. Mas ele possui toques de melancolia e esperança, nos colocando em uma condição de usuários por ser cd que nos consome e começa a fazer parte de nossa vida. O cuidado que a Mãe do Punk tomou com a parte instrumental do disco, faz com que os solos nos emocionem mais do que a letra. E sem contar as horas em que Patti apenas recita trechos de poemas. Um cd cheio de personalidade, que merece reconhecimento pelo nome que carrega.  

Patti em sua mais recente apresentção
Por mais que saibamos que a compositora tenha um time diferente da indústria fonográfica, o lançamento deste cd já nos deixa com sede de novas composições. E com a mesma intensidade de quando tinha apenas 29 anos, temos agora uma Patti mais madura e vivida, que possui experiências o bastante para nos cantar uma música de dez minutos (Constatines Dream), e homenagear uma diva soul trinta e oito anos mais nova (This is The Girl). Enfim, Patti Smith voltou mais inspirada do que nunca.


Por Guilherme Augusto

domingo, 10 de junho de 2012

Análise de Anúncio Publicitário



    O anúncio publicitário do dicionário Aurélio mostra uma ambiguidade. Enquanto alguns podem afirmar que o autor quis fazer uma ofensa direta às pessoas menos favorecidas da educação básica, outras pensam que a palavra Burro faz uma alusão à qualidade alta do dicionário. No meu ponto de vista, o autor quis que os dois sentidos fossem subentendidos para que o leitor pudesse entender do jeito que quisesse, ou das duas formas. A terceira ambiguidade encontrada, advém de como eram chamados os dicionários, os pais dos burros. Portanto, podemos concluir que trata-se com um certo humor a venda de um produto tão “chato”.

Por Guilherme Augusto

Estado LAICO?!



    Em uma visita extraordinária à câmara dos vereadores de São Paulo, observei que acima da mesa diretora do parlamento havia um crucifixo, algo aparentemente normal para uma boa parte das pessoas no mundo. Porém, algo muito particular e muito pouco mencionado na nossa legislação me intrigou muito. O estado, ou seja, o governo Brasileiro, não seria LAICO? Isento de uma religião especifica? Com o meu pouco conhecimento de religiosidade, se é que posso chamar assim, sei que não são todas as religiões que têm a imagem de jesus cristo como um símbolo de fé. Não citarei denominações porque o meu ponto não é defender a fé de ninguém, mas sim, a liberdade!

    Parece estranho mas quando um estado possui uma religião específica, ele tira de boa parte da população o direito de possuir um ideal concreto e pessoal. Além do mais, o cidadão fica sem uma oportunidade de pensar diferente já que, se o estado pensa de tal forma, como ele, um ser sozinho, irá pensar sozinho?

STF em Brasília

    Eu sei que o Brasil tem problemas muito maiores do que um crucifixo de enfeite, mas isso fere a fé de muita gente já que, além de ser restrito a uma crença ou outra, aquilo era um espaço público, que pertence a todos os cidadãos Brasileiros, e não só a um grupo de pessoas que usa aquilo como um artifício de fé.

    Eu digo essas palavras para defender o povo e a mim mesmo. Eu me senti ofendido, se eu não acredito em uma imagem colocada na sala em que é decidido o futuro do meu país, como poderei acreditar que as decisões que são tomadas lá dentro, são benéficas? O Brasil é um país de muitos erros, mas se não quitarmos os menores, os maiores são muito mais difíceis de quitar. Devemos lutar pela nossa liberdade, tanto política quanto religiosa, para que um dia o presidente da câmara comece uma sessão dizendo “começo essa sessão e espero que os senhores tenho discernimento e inteligência para decidir o futuro desse país”, e não, “começo essa sessão com a benção de deus”.

Por Guilherme Augusto

Calados Pela Sociedade, Quietos Pela Integridade

Embora a liberdade seja maior, os recursos mais acessíveis e a sociedade, comparada com as anteriores, magnânima, o jovem não pratica sua devida atuação na sociedade atual.


Seja na política, na educação ou no desenvolvimento do país, é raro ver um jovem empenhado em fazer a diferença. Enquanto seus pais se matam de trabalhar, o jovem diverte-se, e esquece do papel social que ele deveria exercer perante as atrocidades cometidas por um governo petulante, que coloca em risco a nossa dignidade como cidadãos Brasileiros.

O destino do dinheiro público, o melhoramento da educação, a conscientização sustentável de um país que sofre com o desmatamento são assunto  s que não interessam essa faixa etária de Brasileiros. Agora, o erro de um jornalista em rede nacional, a viajem de uma garota anônima, ou até o vazamento de fotos sensuais de artistas famosos geram mais assunto e revolta nessa classe, que se toma por causas inúteis e passatempos fúteis.


Comparada à geração anterior, nossa realidade é muito menos cruel, a diferença é que as injustiças, as censuras e as mentiras do nosso país, não são esfregadas em nossos rostos, como na anterior. Os jovens da época da ditadura eram transgressores, impacientes e revoltados, buscavam uma liberdade de expressão que perdemos, e não estamos nem um pouco afim de reconquistar.


           
        Não somos conformados ou estamos em uma zona de confronto, o que acontece é que o nosso modelo de sociedade sempre foi esse. Nunca tivemos grandes mudanças nos ideais Brasileiros ou nos nossos próprios. Vivemos massificados porque não sabemos ser singulares, apenas individualistas na hora de um conflito de interesses. Desde o fim da Guerra Fria o nosso mundo não foi mais dividido e hoje, com a queda brutal de um ideal comunista, não sabemos na verdade o que é o comunismo. Sabemos viver no capitalismo e, portanto, não temos outra escolha, já que toda sociedade sobrevive a esse sistema. Somo meras vítimas do sistema, acostumados a viver assim.

Outra vertente da não participação jovem, é a imagem deturpada que a sociedade tem sobre ele. Nós jovens, somos retratados como seres não pensantes, verdadeiras amebas, nos filmes americanos. O jovem nunca tem voz e sempre aparece como alguém que comete erros drásticos. Imagem erronia já que, nessa fase, estamos descobrindo nós mesmo e o mundo que nos rodeia, não existe certo ou errado já que tudo é muito novo. Portanto, precisamos de um meio para nos permitir ser participativos, como grêmios, fóruns, a fim de nos tornar mais precisos em nossos ideais, para que essa sociedade suja em que vivemos, mude enquanto somos jovens e maneiros, antes que a gente vire adultos e chatos e comece a repreender a próxima geração.


Por Guilherme Augusto
 

sábado, 9 de junho de 2012

Análise: Pumped Up Kicks (Sapatos Caros) - Foster The People

Capa do disco intitulado Torches da banda Foster The People
    Os garotos do Foster The People vem conquistando uma legião de fãs com sua batida alternativa e seu papel social no mundo da música. A banda, que é constituída de três integrantes, além de abranger boa parte dos gêneros musicais contemporâneos, compõe musicas com um viés revolucionário, que critica atos e fatos americanos.

Cena do clipe de Pumped Up Kicks
   A música em questão é Pumped Up Kicks (Sapatos Caros), que, além de conter uma musicalidade dançante, tem uma letra rica em informações sobre a atual nação americana, e uma critica a algo recorrente no país, os homicidas estudantis. Confira a análise desse hit:

Letra - Robert tem uma mão ágil. Ele dá uma olhada no lugar e não conta seus planos

Análise - Robert é o nome da personagem da música. Neste trecho, a banda descreve os atos dele, que, de uma forma inocente, foi até o lugar onde pretende cometer o seu homicídio.

Letra - Ele tem um cigarro enroladinho
No canto da boca, ele é um cowboy


Análise - Nesta segunda parte nos é revelada uma personagem translúcida, drogada, que usa, provavelmente, maconha (cigarro enrroladinho). E com o uso desse alucinógeno.


Letra - É, ele encontrou uma espingarda
No armário do seu pai, escondida numa caixa de coisas estranhas

Análise - Agora é revelada a arma do crime, que Robert conseguiu em sua casa, fuçando nas coisas de seu pai.


Letra - E não sei nem o que aconteceu
Mas ele virá atrás de você, é, ele virá atrás de você
Análise - Como os homicidas normalmente são pessoas que sofreram Bullying durante a vida escola, nos é revelado um rancor sentido pela personagem, que irá se vingar do causador.


Letra - Todas as outras crianças com sapatos caros. É melhor vocês correrem, correrem mais rápido que a minha arma
Todas as outras crianças com sapatos caros. É melhor vocês correrem, correrem mais rápido que a minha bala

Análise - Este é um aviso para as crianças das escolas que são atacadas, que normalmente usam sapatos de marcas caras, imposto pela sociedade americana. O eu lírico avisa essas crianças para que elas corram, e se possível, mais rápido do que elas possam correr.



Letra - Papai trabalha o dia todo
E chega tarde em casa de novo, é, chega tarde em casa
Análise - Neste trecho o autor apresenta a personagem como alguém que tem o dia vago para cometer atos inconsequentes.


Letra - E me traz uma surpresa
Pois o jantar está na cozinha e embrulhado em gelo
Análise - Além de vagabunda, a personagem é apresentada como mimada e tratada com descaso pelo pai.


Letra - É, a agilidade da minha mão agora puxa gatilhos
Eu discuto com o meu cigarro
Análise - O eu-lírico agora se apresenta como alguém que tem prática em atirar, e quando faz isso, usa drogas, talvez para lhe dar coragem.

Por Guilherme Augusto

terça-feira, 15 de maio de 2012

Resenha Crítica: Born To Die - Lana Del Rey

           
Capa do disco Born To Die
           Mais um sonho americano se torna realidade. É com essa frase que a cantora Lana Del Rey, inicia a segunda parte da faixa Radio, em seu disco de estréia. Nativa de Nova Iorque, Lana foi lançada no mercado musical como a maioria dos artistas contemporâneos, via o site youtube. Com o lançamento do seu primeiro single, Video Games, a carreira da garota de Lake Placid, alavancou de uma forma súbita. Considerando o atual cenário musical, Lana está à frente de seu tempo, utilizando de uma arma sutil e certeira. As músicas da artista não têm batida, letra e musicalidade contemporânea. Ela consegue ser mais avançada que os seus iguais, seguindo influências antigas.

Capa do single Born To Die
 As críticas sobre o cd são controversas. Uns dizem que o som que Lana traz, é inovador, e ela pode ser considerada uma precursora de seu tempo. Porém, uma grande massa de jornalistas americanos, afirmam que o disco é igual aos que já existem e, sendo muito depressivo, é daqueles que ouvimos uma vez só. Mas por outro lado, esses mesmos críticos assumem o potencial artístico que a cantora tem, mas reafirmam que seu talento ainda precisa ser lapidado.

Capa do single Blue Jeans
Na minha concepção de mundo musical, Lana é um fenômeno incrível. Apresenta músicas que têm um conteúdo em suas letras, canta como poucas, e além disso, possui um poder de tradução artística muito elevado, quando faz os videoclipes de suas músicas. Apesar de ser um disco pesado de ouvir repetidas vezes, Born To Die inova, e faz com que suas músicas necessitem de uma interpretação para serem admiradas. A própria faixa título traz uma contradição em seu nome, equiparando nascer com morrer. Além de Born To Die, o disco é repleto de músicas contraditórias como Summertime Sadness, que coloca o verão como uma época infeliz; e National Anthem, uma música que pode ser considerada como um anti-hino da nação Estadunidense.

Foto do shoot realizado para o disco Born To Die
 Portanto, podemos definir o disco de Lana como uma verdadeira droga para os rebeldes de coração partido, ele é completamente nocivo. Porém, já que a primeira impressão é àquela que fica, comece ouvindo Vídeo Games, passe para Dark Paradise, e termine com Carmen. Seguindo essa ordem, você conhecerá uma artista densa no que faz, mas muito talentosa.

Cena do videoclipe da música Carmen


Por Guilherme Augusto

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Charge: Vida Louca, Vida Breve

             
Vida Louca, Vida Breve - por Adnael para o AChargeOnLine

A cantora Amy Winehouse, encontrada morta no seu apartamento em Londres, julho passado, é representada de uma forma satirizada e irônica na charge. Porém, a trajetória narcótica de uma jovem Londrina de apenas 27 anos, termina de forma trágica, quando  descobrimos que sua morte foi provocada por ela mesma.
Amy entrou no mundo das drogas cedo, assim como na música. Seu estilo excêntrico, a voz marcante e a maturidade para falar de assuntos sérios, como o amor, eram qualidades admiráveis, porém, a cantora, autodestrutiva como só, deixa junto ao seu legado musical, uma lição importante para os jovens do mundo todo. A vida não deve ser jogada fora, e Amy foi um exemplo deste desperdício. As drogas são um caminho sem volta, portanto, antes de entrar neste mundo, pense, e veja que não vale à pena, a vida é uma só, assistí-la por uma visão transcendental não é o melhor caminho para aproveitá-la.
            A charge ainda retrata outra faceta dela, obscura e perdida, o desenho nos remete a alguém que tem um destino reservado, funesto e cheio de contra tempos. O legado dessa artista é grandioso e rico, mas a principal lição que Amy nos deixa, é a de que quando vive-se como quer, vive-se pouco.




Por Guilherme Augusto
*Fonte (Charge): http://www.humorpolitico.com.br/index.php/2011/07/25/amy-winehouse-vida-louca-vida-breve/

sábado, 12 de maio de 2012

Caos Mentalisando

            Bem vindos ao meu inconsciente-consciente. Sou um garoto de 15 anos normal. Estudo, navego na internet por horas, durmo tarde, olho para garotas que não me percebem, sou (e estou) entediado. Mas há algo em mim que sempre me intrigou. Eu sou inconstante, não penso ou ajo de uma forma uniforme em relação a mim mesmo. Sou completamente infiel à minha índole, o que me traz benefícios e malefícios. Quando eu decidi fazer um blog, não fui obrigado a fazer um, eu simplesmente criei algo no qual eu poderia escrever de uma forma livre. A diferença do primeiro para esse, é vasta. A começar pelo meu conhecimento que aumentou, seguindo pela obrigação de escrever, e podemos encerrar na parte que dessa vez é uma necessidade (tanto na minha grade curricular, quanto na minha vida pessoal). Esse é um blog de variedades, portanto é livre e sem preconceitos.
            Para falar um pouco mais de mim eu tomei duas frentes que me definem como um ser sobrevivente deste mundo insano: música e literatura.
            A música em minha vida é algo recorrente e que me acompanha em todo lugar, em cada situação e momento. Além de ótimo ouvinte eu componho minhas próprias músicas, que não passam de uma forma figurada de meus sentimentos. Aprendi que se um dia eu cantasse, teria que cantar minhas próprias músicas, e essas, deveriam ser verdadeiras. Portanto eu escrevo com minha alma, não penso. Acordo de madrugada para descrever um sonho, e sonho acordado para ter sensações inéditas. Se alguém me perguntar qual a minha música favorita, ou banda, ou cantor(a), eu não saberia definir qual, em meia a tantos. Mas uma música que pode me definir neste momento da minha vida é Gloria da cantora, poeta e performer Patti Smith, pelo simples fato de que ela se faz única em meio a tantas, mais do que isso pela frase inicial:  Jesus died for somebody sins but not mine (“Jesus morreu pelo pecado dos outros não pelos meus”), o que pra mim significa uma frase de protesto, que questiona o pensamento das grandes massas, e destaca a originalidade de pensamento do eu lírico. E além de tudo questiona algo tão polemico, a religião, do qual não sou adepto, respeito, questiono, mas não acredito em uma entidade que não seja podre.
            Em questões literárias, eu não sou o maior admirador da nacional e da clássica. Pra falar bem a verdade, eu acho um verdadeiro porre  ter que ler livros de autores que já morreram, e essa é uma das minha contradições, odeio coisas contemporâneas, mas em questão de livros, eu os prefiro num panorama atual. Tenho autores preferidos como Ned Vizzini, a própria Patti Smith, e Vicente Frare. Outra paixão minha são os livros que viraram filmes. Não porque eu tenho preguiça, mas pelo fato de que posso assistir um filme para saber se vale à pena ler um livro que vou ler em um mês no mínimo, portanto, costumo fazer o caminho inverso.  Alguns títulos também fazem parte da minha história como Capitães de Areia (contradição do quesito autor), Só Garotos e It´s Kind of a Funny Story (sem tradução para o português), são esses aqueles que eu gostaria de ter vivido, independente de época ou contexto, eu li esses livros como se eu conhecesse as personagens, portanto, eu senti o que elas sentiram. Eu os recomendo!
            Enfim, esse sou eu. Uma contradição ambulante, um estudo diabólico, metafórico e transcendente. Já fui comparado com Saramago muitas vezes na hora de escrever, mas vou tentar ser menos chato. Meu caos mental já trabalha em novos posts, mas achei bom começar com uma apresentação. Assim vocês leitores, ficam sabendo que não sou atormentado, frenético e louco sem querer, e sim com um propósito muito grande, fazer a diferença!

Por Guilherme Augusto