quarta-feira, 18 de julho de 2012

A Mãe do Punk Voltou!


Capa do cd Banga de Patti Smith
Depois de completar oito anos de jejum, Patti Smith lança um cd de inéditas com a intensidade de uma principiante, e um repertório digno de uma veterana. Banga é o décimo primeiro álbum da artista. Percorre por estilos variados, do folk ao punk, Patti consegue captar a emoção de um poema, e transformá-lo em uma música única, que só ela é capaz de fazer.


Capa do single April Fool, faixa de Banga
Nascida Patti Lee Smith, a garota de Nova Orleans não se contentava em levar uma vida pacata na cidade sulista dos EUA, portanto, logo tratou de se mandar para Nova York. Lá, ela aprendeu que a vida não era tão fácil quanto ela pensara que seria. Dormiu nas ruas, passou fome, batalhou empregos, até encontrar o grande amor de sua vida, Robert Mapplethorpe. Neste romance que envolvia arte, drogas, músicas e muita loucura, Patti busca inspiração até hoje. Com a morte de Robert em 1989, a cantora (que também pode ser chamada de poeta) deu um tempo em sua carreira efervescente, voltando a produzir somente em 96. Dando continuidade ao seu legado, ela lançou o cd Trampin, sem muito sucesso em 2004, seu último de inéditas. A partir daí, ela escreveu um livro, o premiado “Só Garotos”, e lançou um cd de covers. O que nos leva a crer, que Patti tenha ficado esse tempo todo trabalhando em um disco excepcional, como o mundo punk não ouvia há um bom tempo.


Patti Smith
O cd se utiliza de todos os estilos já testados por Patti. É evidente que ele se iguale a Horses, o épico que traz Gloria e Because the Night em seu setlist. Mas ele possui toques de melancolia e esperança, nos colocando em uma condição de usuários por ser cd que nos consome e começa a fazer parte de nossa vida. O cuidado que a Mãe do Punk tomou com a parte instrumental do disco, faz com que os solos nos emocionem mais do que a letra. E sem contar as horas em que Patti apenas recita trechos de poemas. Um cd cheio de personalidade, que merece reconhecimento pelo nome que carrega.  

Patti em sua mais recente apresentção
Por mais que saibamos que a compositora tenha um time diferente da indústria fonográfica, o lançamento deste cd já nos deixa com sede de novas composições. E com a mesma intensidade de quando tinha apenas 29 anos, temos agora uma Patti mais madura e vivida, que possui experiências o bastante para nos cantar uma música de dez minutos (Constatines Dream), e homenagear uma diva soul trinta e oito anos mais nova (This is The Girl). Enfim, Patti Smith voltou mais inspirada do que nunca.


Por Guilherme Augusto

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