terça-feira, 18 de dezembro de 2012

AS VANTAGENS DO APOCALIPSE


    Segundo o povo Maia o dia do juízo final, temido por muitos, está mais próximo do que nós podemos imaginar. No dia 21/12/2012, a terra colidirá com meteoros super, ultra, mega perigosos, e tudo se consumará num fim, como tantos outros que conhecemos. E isso já foi confirmado pelos mais renomados cientistas, inclusive por mim. No Brasil, a coisa será bastante séria, já que somos um país que está  em evidência, e além do mais a gente não tem terremoto, vulcão e furacão; então, resolveram nos dar um pouco de emoção no fim da vida. De acordo com os meus cálculos super avançados, o meteoro caíra no Brasil na hora que ele atingir o solo Brasileiro, portanto, teremos um tempo para abandonar nossos lares, e ir para as ruas provar o nosso desespero patético.

    Depois de horas nas filas da assistência social Brasileira, teremos que enfrentar temperaturas altíssimas, o que já salva o pessoal do Nordeste. Os do Sul vão morrer primeiro, já que o calor é alarmante. Nos estados do Norte o fim do mundo não vai chegar. O Acre, Rondônia e Roraima, não entraram na lista de estados que podem ser atingidos, porque eles não existem de fato; a Amazônia também não entra, porque o Greenpeace fez vários protestos e abaixo-assinados para que isso não chegasse em, como eles mesmos disseram, “uma região tão rica, que precisa estar no próximo mundo”, e os maias concordaram. O pessoal do Centro-Oeste se fodeu mesmo! Um meteoro está sendo preparado especialmente para Brasília e ele chegará lá, antes; pelo fato de que apocalipse acontece em uma sexta, e o pessoal de lá trabalhar até quarta. Já o Sudeste vai ser pouco atingido; razão: muitos deles estarão dentro dos shoppings fazendo as suas últimas compras de Natal, portanto, esses estão salvos; os que estiverem fora dos shoppings se foderam também.

    Mas enquanto eu estive deliberando sobre esse fato, descobri várias vantagens nesse apocalipse. Pense em quantas pessoas que são irritantes que vão morrer. Quantas pessoas más. As boas também, de fato, mas pense nas más. O trânsito sumirá da face da terra, pelo menos até a próxima geração descobrir o automóvel. As pessoas que sofrem de doenças não sofrerão mais, e as que não sofrem, não sofrerão nunca. Ficaremos livres das escatologias mundiais; das crianças que choram sem motivo; dos livros chatos; dos fãs de Harry Potter; da Globo; do telemarketing; das contas à pagar, e principalmente, de nós mesmos. Se tem alguém que a gente deveria odiar com todas as nossas vísceras somos nós mesmos, que nos damos o trabalho de existir, e isso é um porre.

    Eu dei uma ligadinha no SAC do próximo mundo e eles contrariaram a declaração da Veja, que dizia que só existem cem vagas para lá. Na verdade há 2000 e isso será pré determinado pelo comportamento patético do ser humano. Quanto menos patético, mais chance de ganhar o privilégio de ir pra lá. Eles também me confirmaram que lá não tem gente morta, ou seja, as crianças estarão livres de qualquer Michael Jackson, e os jovens não serão sujeitos às drogas de Amy Winehouse. Os funkeiros que forem escolhidos, serão desclassificados automaticamente, já que o fato de serem o que são, já os fazem patéticos. E uma última ressalva, é terminantemente proibido cantar ou cantarolar a música “Esse Cara Sou Eu” no novo mundo, caso isso ocorra você vai se foder também.

    Por fim, gostaria de deixar uma carta de despedida para àqueles que não terão a mesma oportunidade que os outros, ou que talvez nem eu tenha. Primeiro eu queria mandar vocês todos à merda, porque eu não posso perder a oportunidade. Depois quero agradecer àqueles que leram isso inteiro, já que está chato. Enfim, desejo que o fim do mundo de vocês seja tão desgraçado quanto o meu, e caso a gente se encontre no próximo mundo; o qual eu já arrumei a minha mala com CDs, livros e revistas; espero  que vocês estejam preparados para uma vida nova, em um mundo novo, com gente menos patética. E caso vocês não acreditem no fim do mundo, vamos esperar, alguém tem que estar certo. 

Por Guilherme Augusto 

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